Manoel Carlos Morre aos 92 Anos: Legado e Controvérsias na Teledramaturgia
Manoel Carlos, conhecido como Maneco, faleceu no sábado, dia 10, aos 92 anos. Ele foi um dos mais influentes autores de novelas da televisão brasileira, deixando um legado significativo tanto nas histórias abordadas em suas obras quanto nos desafios enfrentados nos bastidores.
Desde o início de sua carreira, Manoel Carlos trouxe à tona temas relevantes e sociais como relacionamentos abusivos, alcoolismo e violência contra os idosos. Suas tramas costumavam refletir a sociedade, levando questões muitas vezes ignoradas para a tela, mas não sem atrair polêmicas.
Entre os episódios mais controversos está a novela “Mulheres Apaixonadas”, exibida em 2003. Durante as gravações de uma cena de tiroteio no Leblon, Zona Sul do Rio de Janeiro, a produção gerou um grande tumulto. Aproximadamente mil pessoas estavam presentes no local, aumentando o caos em um horário movimentado. O uso de mais de 500 tiros de festim fez com que muitos espectadores chamassem a polícia, preocupados com a possibilidade de um evento real. As associações de moradores e hotéis da região se manifestaram contra a situação, mas Manoel Carlos se manteve firme em sua decisão, argumentando que a violência estava presente em várias partes da cidade, não apenas nos bairros mais pobres.
Outra novela notória foi “Páginas da Vida”, de 2006. Apesar do sucesso de audiência, o clima nos bastidores foi conturbado. Diversos atores, incluindo Ana Paula Arósio, Renata Sorrah e Leandra Leal, expressaram insatisfação com o desenvolvimento de suas personagens e houveram relatos de que alguns faltaram a gravações. Grazi Massafera, que na época era nova no meio, também foi alvo de críticas que chegaram aos ouvidos do autor, que se viu na obrigação de defendê-la publicamente.
Em “Viver a Vida”, de 2009, a protagonista interpretada por Taís Araújo enfrentou rejeição do público, levando a mudanças na trama. Alinne Moraes passou a ser a protagonista, após sua personagem sofrer um acidente que a deixaria tetraplégica. Nos bastidores, tensões surgiram entre Natália do Vale e Letícia Spiller, que culminaram em uma discussão acalorada sobre atrasos nas gravações.
“Em Família”, de 2014, foi a última novela de Manoel Carlos na TV Globo e reuniu diversas críticas, especialmente quanto à diferença de idade entre as atrizes Natália do Vale e Julia Lemmertz, que interpretaram mãe e filha. Manoel Carlos fez defesa, citando outros casos na televisão similares. A novela teve um desempenho abaixo das expectativas de audiência e houve rumores de que o autor havia abandonado a produção antes de seu término, enfrentando problemas de saúde, com sua filha Maria Carolina assumindo a finalização da trama.
Com um legado repleto de histórias marcantes, Manoel Carlos deixou sua marca na televisão brasileira, sendo uma figura polêmica com uma carreira que, apesar das críticas, mudou a forma como os temas sociais são abordados nas novelas do país.
