A Praia da Estação, tradicional evento carnavalesco, completou 16 anos com a participação de muitos foliões na Praça da Estação, localizada no Centro de Belo Horizonte, no domingo (18). A edição deste ano destacou a importância de apoiar as comunidades tradicionais dos bairros Concórdia e Lagoinha, que estão no foco do Projeto de Lei 574/2025. Este projeto está em tramitação na Câmara Municipal de Belo Horizonte e permite a construção de grandes edifícios, conhecidos como “espigões”, em áreas históricas da cidade, onde se encontram manifestações da cultura popular.
Moradores e participantes do bloco expressaram preocupação com essa proposta, afirmando que ela pode prejudicar a memória local, a paisagem urbana e a permanência das comunidades que ali residem. Maria Goretti Teixeira, uma professora de 38 anos que vive no bairro Concórdia, enfatizou a necessidade de que o poder público valorize os prédios antigos da região, que possuem importância arquitetônica. “Não podem ser derrubados”, declarou.
Os organizadores do bloco também acusaram a administração pública de não ouvir os moradores durante uma audiência sobre a proposta. Joanes Cardoso, vendedor ambulante de 27 anos e morador da área, compartilhou seu apego emocional aos bairros. “Minha família é da região, e esses lugares têm um valor sentimental para nós”, contou.
O dia começou com chuva, mas à tarde o tempo melhorou, permitindo que os foliões aproveitassem a praça. Com roupas festivas e alegres, muitos se reuniram para aproveitar a “praia” improvisada em um ambiente que misturava diversão e protesto. Para Clarisse Lana, uma estudante de 34 anos e participante do bloco desde 2014, a Praia da Estação marca o começo do Carnaval na cidade. “Simboliza o direito à cidade, unindo pessoas de diferentes perfis em um mesmo espaço”.
Outra voz no evento foi a jornalista Aline Frazão, de 38 anos e grávida de sete meses, que criticou a falta de apoio público ao Carnaval, mencionando a carência de estrutura, como banheiros químicos. Além disso, Oliver Dettenborn, engenheiro de software de 28 anos, que se mudou para Belo Horizonte recentemente, destacou que o Carnaval na cidade se diferencia por sua forte conexão com questões sociais e políticas. “O evento mostra que o Carnaval vai além da festa”, afirmou.
Sobre a tramitação do Projeto de Lei 574/2025, uma audiência pública já está marcada para o dia 9 de fevereiro de 2026, às 10h, no Plenário Camil Caram da Câmara Municipal. Essa decisão foi acordada em uma reunião das Comissões de Orçamento e Finanças Públicas, Direitos Humanos, Habitação, Igualdade Racial e Defesa do Consumidor, e Meio Ambiente, Defesa dos Animais e Política Urbana no final de dezembro de 2025. O objetivo da audiência é apresentar o projeto a moradores, comerciantes, engenheiros e à sociedade civil.
O projeto, de autoria do Executivo municipal, já recebeu aprovação positiva da Comissão de Legislação e Justiça, que validou sua constitucionalidade. Neste momento, ele continua passando por análises em comissões, e para ser aprovado, precisará do apoio de dois terços dos vereadores na câmara.
