Os consumidores de Belo Horizonte estão enfrentando um aumento na inadimplência, com um crescimento de 5,86% em dezembro de 2025 em comparação ao mesmo mês do ano anterior. A informação é da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL/BH). Embora o aumento seja significativo, ele é menor que o registrado no estado de Minas Gerais, que foi de 8,55%, e no Brasil, onde a inadimplência subiu 10,17%.
Em média, cada consumidor de Belo Horizonte possui duas dívidas, totalizando cerca de R$ 5.565,29 em débito. A faixa etária mais afetada é a que compreende entre 34 e 40 anos, representando 46,52% dos inadimplentes. Essa faixa etária é considerada um período de maior intensidade econômica, onde muitas pessoas assumem responsabilidades financeiras, como a compra de imóveis e veículos e o sustento da família. Isso pode facilitar o acesso ao crédito, mas também aumenta o risco de endividamento.
Por outro lado, os grupos mais jovens e os idosos apresentam índices de inadimplência mais baixos, o que pode ser atribuído a um menor uso de crédito e, em alguns casos, à falta de necessidade de se endividar.
Marcelo de Souza e Silva, presidente da CDL/BH, aponta que o aumento da inadimplência em dezembro está atrelado aos gastos típicos do final de ano, como festas e presentes. Esses gastos, combinados com juros acumulados de dívidas anteriores, elevam o montante total que os consumidores devem.
O presidente também destaca que o cenário econômico de 2026 pode ser desafiador, mas ainda oferece boas oportunidades para aqueles que conseguirem se organizar financeiramente. Ele sugere que o planejamento financeiro é essencial neste momento e que, embora há expectativa de um crescimento moderado, o mercado de trabalho permanece ativo. Além disso, há a expectativa de redução da Selic, a taxa básica de juros, nos próximos meses.
A CDL/BH recomenda algumas práticas que podem ajudar os consumidores a equilibrar suas finanças. Um bom começo é o controle rigoroso das receitas e despesas, organizando os gastos por categorias e priorizando o pagamento de dívidas com juros mais altos. Criar uma reserva de emergência, mesmo que de forma gradual, também é fundamental para aumentar a segurança financeira e evitar surpresas desagradáveis.
“Conhecer sua própria realidade financeira é o primeiro passo para uma vida financeira mais tranquila. Ao acompanhar de perto seus gastos, o consumidor tem mais controle e faz escolhas mais conscientes”, afirma Souza e Silva. Ele também alerta que a taxa básica de juros deve permanecer alta durante boa parte do ano, o que reforça a necessidade de um uso consciente do crédito e de uma gestão financeira cuidadosa.
Dicas para Controle Financeiro
1. Fotografia Financeira:
Registre tudo que entra e sai do seu bolso durante 30 dias. Você pode usar planilhas ou aplicativos gratuitos. Esse registro ajuda a entender melhor seus gastos, já que muitas pessoas não têm clareza sobre quanto realmente gastam.
2. Organize as Despesas em Categorias:
Divida seus gastos em categorias: essenciais (como moradia e saúde), variáveis (lazer, compras impulsivas), previsíveis sazonais (como IPVA e IPTU) e supérfluas (assinaturas e serviços premium). Atenção para as despesas recorrentes, que podem somar e comprometer seu orçamento.
3. Priorize as Dívidas Mais Caras:
Foque em pagar as dívidas que possuem juros mais altos primeiro, como cartão de crédito e cheque especial, para evitar a inadimplência.
4. Crie uma Reserva de Emergência:
Essa reserva é fundamental para lidar com imprevistos e evitar o ciclo de endividamento. Comece a construir essa reserva com quantias pequenas, como R$ 50 ou R$ 100 por mês, e aumente gradativamente. O ideal é ter ao menos três meses do custo de vida guardados.
Essas dicas visam ajudar os consumidores a terem mais controle sobre suas finanças e evitar situações de inadimplência, especialmente em tempos econômicos desafiadores.
