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Bacalhau na Páscoa é bagunça brasileira

Para cristãos praticantes, a Páscoa marca o fim do jejum da Quaresma. Isso significa que está liberado comer bastante de qualquer coisa.

Por esse motivo, em quase todos os países cristãos, o almoço do domingo de Páscoa é uma grande refeição com pratos de carne, alimento que era proibido na Sexta-Feira Santa.

No Brasil, no entanto, a tradição é diferente. Aqui, as pessoas continuam com o bacalhau. Não há nada contra o peixe, mas isso representa uma mudança na tradição original. É bom lembrar que não fomos nós que começamos a alterar os costumes da Quaresma.

No início do cristianismo, as regras do jejum eram muito mais severas. Elas foram sendo suavizadas ao longo do tempo porque, na prática, pouquíssimas pessoas estão dispostas a fazer o sacrifício de passar fome por mais de um mês.

No fim, a penitência ficou restrita a comer peixe na Sexta-Feira da Paixão, deixando de lado pratos como feijoada e churrasco.

É preciso concordar que essa penitência acaba sendo algo pouco significativo, considerando a forma como o brasileiro costuma realizar as celebrações. Consomem-se toneladas de bacalhau e muito vinho. É uma farra, um momento de prazer em uma data que deveria ser de reflexão.

Assim, quando chega o domingo de Páscoa, já não faz sentido comer carne para mostrar uma mudança de estado de espírito, do luto para a alegria. Essa mudança, na prática, já aconteceu na sexta-feira.

Como não existe nenhuma punição para quem come peixe na Páscoa, segue uma receita de bacalhau para o domingo. Que tal um ovo de Páscoa de bacalhau? Melhor ainda: um bolovo de Páscoa, que é um ovo cozido coberto com massa de bolinho de bacalhau. A criação é do Toninho Laffargue, do Bar do Momo, no Rio de Janeiro.

Bolovo de Bacalhau do Momo

Rendimento: 15 unidades

Dificuldade: média

Tempo de preparo: cerca de 2 horas

Ingredientes:

1 kg de batatas asterix, descascadas e cortadas ao meio

500 g de bacalhau dessalgado, em pedaços

1 colher (sopa) de azeite de oliva

Pimenta-do-reino branca a gosto (opcional)

6 gemas de ovo

4 colheres (sopa) de salsa picada

15 ovos com casca

100 ml de vinagre branco

Óleo para fritar

Modo de preparo:

Ferva 3 litros de água e cozinhe juntos a batata e o bacalhau, em fogo médio, por 20 minutos. Reserve o bacalhau e continue cozinhando a batata por mais 20 minutos.

Escorra a batata e leve-a novamente ao fogo médio, mexendo sempre, por 1 minuto, até secar bem, mas sem grudar no fundo da panela. Amasse a batata até formar um purê. Retire do fogo e reserve.

Descarte a pele e as espinhas do bacalhau e amasse-o. Incorpore o purê de batata, o azeite e a pimenta-do-reino. Cubra com filme plástico e leve à geladeira por 1 hora, até esfriar bem.

Adicione as gemas e a salsa à massa e misture bem. Reserve.

Leve ao fogo uma panela grande com água e o vinagre até ferver. Adicione os 15 ovos e deixe cozinhar por 5 minutos.

Transfira os ovos para uma tigela com água e gelo para parar o cozimento e descasque-os. Envolva cada ovo em 80 g da massa de bacalhau, fechando bem.

Frite os bolovos, poucos por vez, em óleo quente abundante até que fiquem dourados. Escorra sobre papel absorvente.

O bacalhau usado no Brasil, muitas vezes, é o saithe, um peixe salgado e seco pescado na Noruega que pertence à mesma família do bacalhau. Sua textura e sabor salgado característico o tornam um ingrediente central em diversas receitas da culinária nacional, especialmente durante o período da Páscoa.

A tradição de consumir peixes durante a Semana Santa tem raízes históricas antigas, ligadas a práticas de abstinência de carne vermelha. Ao longo dos séculos, o bacalhau se firmou como a opção mais popular no país, graças à sua durabilidade e versatilidade na cozinha.

Pratos à base de bacalhau, como o bolovo descrito, bacalhau à Gomes de Sá e bacalhoada, são comuns nas mesas das famílias. A adaptação de receitas tradicionais portuguesas à realidade brasileira resultou em uma variedade de preparos que fazem parte da cultura gastronômica local.

A pesca e o processamento do bacalhau são atividades econômicas importantes para países como Noruega e Portugal. O produto é exportado para todo o mundo, atendendo a uma demanda que cresce significativamente em épocas festivas religiosas.