A sustentabilidade está em alta no carnaval de Belo Horizonte. Em 2026, vários blocos de rua da capital mineira incluirão ações ambientais e sociais durante os desfiles, com iniciativas como reciclagem de lacres de latinhas, distribuição de sementes de árvores nativas e projetos culturais que buscam conscientizar os foliões sobre a importância de cuidar do meio ambiente.
Um dos blocos mais conhecidos, o Havayanas Usadas, comemora 10 anos de existência e reforça seu compromisso com práticas sustentáveis e sociais. O cantor e fundador do bloco, Heleno Augusto, explicou que a arrecadação de lacres começou antes do carnaval. “Estamos coletando lacres durante os ensaios, que acontecem todas as segundas-feiras até o dia 9 de fevereiro. Colocamos um garrafão de cinco litros e convidamos todos os participantes e fãs para contribuírem”, contou. A orientação é que os foliões tragam lacres de casa e também depositem os anéis das latinhas consumidas nos encontros.
Essa ação é realizada em parceria com o Lacre do Bem, uma associação de Belo Horizonte que trabalha há quase 20 anos com arrecadação de lacres. Segundo Heleno, essa instituição recebe toneladas de doações, faz a triagem e troca os materiais por cadeiras de rodas, beneficiando pessoas que precisam. “Hoje, mais de 40 pessoas estão na fila aguardando por uma cadeira, incluindo pessoas de várias partes do país”, afirmou. A expectativa é que a campanha de coleta continue durante o desfile principal e após o carnaval.
“O objetivo é expandir a campanha, aproveitando nossas redes sociais e a imprensa para que mais pessoas conheçam o trabalho do Lacre do Bem e entendam que gestos simples podem mudar a vida de alguém”, disse Heleno. Todo o material arrecadado será enviado à instituição, que se encarrega da triagem e destino adequados.
As iniciativas ambientais e sociais estão presentes na trajetória do Havayanas Usadas. Ao longo dos anos, o bloco fez parcerias com diversos coletivos e instituições, promovendo a inclusão de pessoas trans em seus ensaios e desfiles, além da reutilização de figurinos e materiais cenográficos. “Sempre buscamos reutilizar tudo que é possível: figurinos, lonas de trio e objetos. Essa é uma forma de reduzir o desperdício e repensar o carnaval”, explicou Heleno.
Em edições anteriores, o bloco também abordou questões sociais durante os desfiles, como quando integrantes do Movimento dos Atingidos por Barragens participaram após a tragédia de Mariana. “O carnaval é um espaço para posicionamento, que provoca reflexão e atinge muitas pessoas”, enfatizou.
Robhson Abreu, líder da Associação dos Blocos de Rua e criador do Bloco de Belô, compartilha essa visão. Para ele, o carnaval vai além do entretenimento. “Quando um bloco reúne milhares de pessoas em torno de uma causa, isso gera um grande impacto. O carnaval se transforma em ferramenta de conscientização e transformação social”, destacou.
Além da coleta de lacres, outros blocos também planejam ações ambientais para 2026, como distribuição de mudas de árvores nativas e campanhas educativas sobre o descarte correto de resíduos. A intenção é envolver o público de forma simples e acessível, usando o clima festivo para incentivar práticas mais responsáveis.
O Havayanas Usadas espera reunir cerca de 300 mil foliões e reforça que, quanto maior o bloco, maior a responsabilidade. “Queremos festejar, mas também devolver algo à cidade. O carnaval é alegria, mas também pode ser cuidado, consciência e solidariedade”, concluiu Heleno.
