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FIFA desiste de privatizar Copa do Mundo após crise

Por Portal Notícias BH · · 2 min de leitura
FIFA desiste de privatizar Copa do Mundo após crise
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A FIFA recuou de um dos projetos mais ambiciosos de sua história recente. O presidente da entidade, Gianni Infantino, pretendia criar a Fifa Forward Enterprise (FFE), uma empresa privada que ficaria responsável pelos direitos comerciais e de transmissão dos principais torneios, como a Copa do Mundo e o Mundial de Clubes. A ideia era abrir espaço para investidores privados e, em troca, aumentar os repasses às 211 federações filiadas, que passariam de US$ 8 milhões para até US$ 20 milhões, com promessas que chegavam a US$ 40 milhões.

A proposta de privatizar o maior patrimônio do futebol, no entanto, gerou uma crise sem precedentes. A entidade foi forçada a abandonar o plano por sete motivos principais.

O primeiro foi o racha na governança do futebol. O próprio Infantino admitiu que o projeto criou divisões internas irreparáveis, enfraquecendo a gestão global da entidade. O segundo motivo foi a ameaça de boicote da UEFA. A entidade europeia liderou a oposição e avisou que os países europeus poderiam não participar das competições, o que reduziria o valor e o interesse na Copa do Mundo.

O terceiro ponto foi a rejeição em bloco das confederações. Concacaf e AFC (Ásia) recusaram a proposta publicamente, enquanto Conmebol, CAF (África) e OFC (Oceania) exigiram explicações e travaram o andamento do plano. Sem o apoio dos continentes, a proposta perdeu a viabilidade política.

O quarto motivo foi a renúncia de Carlos Cordeiro, um dos assessores de maior confiança de Infantino. Ele deixou o cargo em protesto contra a criação da FFE, mostrando que a resistência também vinha de dentro da própria FIFA. O quinto ponto foram as suspeitas de compra de votos. Documentos vazados mostravam ofertas de até US$ 40 milhões às federações, o que levantou questionamentos éticos sobre o uso do dinheiro para obter apoio político.

O sexto motivo foi o isolamento político. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, negou publicamente ter discutido a proposta com Infantino, o que desmontou qualquer tentativa de usar líderes globais para dar sustentação ao projeto. Por fim, o sétimo ponto foi a perda do propósito institucional. A proposta focou tanto na rentabilidade que descaracterizou o papel da FIFA, que é desenvolver o futebol mundial de forma equilibrada.

Agora, com o recuo, Infantino prometeu reunir confederações e federações nas próximas semanas para buscar alternativas. O desafio é encontrar uma forma de ajudar financeiramente as federações menores sem abrir mão do controle da Copa do Mundo.

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