Irã e Omã avançam em acordo para navegação no Estreito de Ormuz

As negociações entre o Irã e Omã para estabelecer um protocolo de navegação no Estreito de Ormuz estão em fase final, segundo autoridades iranianas citadas pela agência estatal IRNA. O objetivo é estabelecer mecanismos para supervisionar e coordenar o tráfego marítimo e garantir a passagem segura de navios pelo estreito.
O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, afirmou que Teerã está trabalhando com Omã, outro país costeiro do Estreito de Ormuz, para estabelecer regras que permitam a passagem segura de embarcações mesmo em períodos de paz.
Segundo ele, o protocolo não tem como objetivo impor restrições, mas facilitar o trânsito e oferecer melhores serviços aos navios.
A informação ganha relevância após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar que cancelou ataques planejados contra o Irã para dar mais tempo à diplomacia.
Segundo o Financial Times, um possível acordo em discussão incluiria a reabertura do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas para o transporte mundial de petróleo.
O Estreito de Ormuz é uma passagem estratégica localizada entre o Golfo de Omã e o Golfo Pérsico. Cerca de um quinto do petróleo consumido no mundo passa por essa rota, o que torna a região um ponto de atenção para o mercado internacional de energia. Qualquer alteração na navegação local costuma gerar impacto imediato nos preços do barril e nas rotas de abastecimento global.
Nos últimos meses, a tensão militar na área aumentou após ataques a navios petroleiros e a presença de embarcações da marinha americana na região. O governo iraniano, por sua vez, já havia ameaçado fechar o estreito em resposta a possíveis sanções ou ações militares de países ocidentais. A declaração de Trump sobre o cancelamento dos ataques foi interpretada por analistas como uma tentativa de reduzir o risco de um conflito aberto.
Omã tem atuado como intermediário em conversas diplomáticas entre o Irã e os Estados Unidos em outras oportunidades. A proximidade do sultanato com as duas nações e sua posição geográfica tornam o país um canal frequente para negociações informais. O avanço no protocolo de navegação é visto como um sinal de que há espaço para entendimento técnico, mesmo com o cenário político ainda indefinido.


