O Dia Nacional do Samba, celebrado oficialmente no dia 2 de dezembro, foi comemorado de maneira especial em Belo Horizonte neste domingo, 7 de dezembro. A segunda edição do evento “Horizontes do Samba – Patrimônio Cultural BH” ocorreu no Mercado da Lagoinha, na Região Noroeste da cidade, marcando um ano do reconhecimento do samba como Patrimônio Cultural de Belo Horizonte. A realização do evento foi uma parceria entre a Secretaria Municipal de Cultura (SMC), a Fundação Municipal de Cultura (FMC) e o Instituto Odeon.
Os tradicionais Blocos Caricatos de Belo Horizonte foram homenageados durante a festividade. O coordenador do Patrimônio Imaterial de Belo Horizonte, Alan Pires, explicou que a origem desses blocos remonta à construção da capital mineira, que começou a ser erguida em 1897. “Os trabalhadores, durante as folgas, subiam nas carroças e faziam seus cortejos com batuques”, afirmou.
O evento também faz parte do Circuito Municipal de Cultura e comemora os 128 anos da cidade. Alan ressaltou que os Blocos Caricatos, com suas características únicas, como rostos pintados e tambores feitos de barris de água, são uma exclusividade de Belo Horizonte. A programação incluiu apresentações da Velha Guarda da Unidos do Guarani e rodas de mestres de samba, acompanhados por uma banda composta por jovens mulheres sambistas. O objetivo é promover a troca de conhecimentos entre as novas e as antigas gerações do samba, valorizando a cultura e formando novos sambistas.
Alan Pires, que esteve envolvido nas pesquisas que garantiram o título de Patrimônio Cultural ao samba, destacou que esse gênero musical surgiu junto com a cidade. “Desde os primeiros anos, já havia referências à Umbigada, que ajudaram a moldar o samba de Belo Horizonte”, contou. Ele ressaltou que as composições dos mestres históricos do samba narram a história da cidade, abordando aspectos como o desenvolvimento da Região da Lagoinha e a formação de escolas de samba, como a Pedreira Unida.
Durante o evento, a servidora pública Silvia Ribeiro comentou sobre a amplitude do samba na capital, mencionando diferentes estilos e locais, como o Samba D’ouro sob o Viaduto Santa Tereza e os sambas na periferia. Ela destacou a diversidade, incluindo o samba-enredo do carnaval e os bloquinhos de rua.
A advogada Fernanda de Oliveira Lage também participou da festividade e enfatizou a importância do samba como um patrimônio cultural. Para ela, o gênero musical esteve marginalizado por um tempo, mas com a retomada do carnaval e a valorização da boemia em Belo Horizonte, houve um reconhecimento renovado. “Aqui temos várias gerações de sambistas e pessoas de fora vindo para conhecer e apreciar nosso samba”, concluiu.
O evento no Mercado da Lagoinha foi uma verdadeira celebração da identidade cultural da cidade, com foco na valorização do samba e na preservação dos costumes que moldaram a história de Belo Horizonte.
