segunda-feira, 12 de janeiro de 2026
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Morre Manoel Carlos, renomado autor de novelas brasileiras

EM 11 DE JANEIRO DE 2026, ÀS 04:30

Na manhã deste sábado, dia 10, Manoel Carlos, um dos mais renomados autores da televisão brasileira, faleceu aos 92 anos. Ele estava em casa, acompanhado de sua esposa, Elisabety, e da filha, a atriz Júlia Almeida. Manoel Carlos, conhecido como “Maneco”, lutava contra a Doença de Parkinson há algum tempo. A informação sobre sua morte foi divulgada pela produtora Boa Palavra.

Manoel Carlos deixou um legado importante na teledramaturgia nacional, sendo autor de novelas marcantes como Laços de Família (2000), Por Amor (1997) e Mulheres Apaixonadas (2003). Suas tramas, que frequentemente abordavam dramas familiares e questões sociais, destacavam a figura das personagens chamadas Helena. Esse personagem se tornou emblemático em suas histórias, refletindo diversas situações e sentimentos.

Nascido em São Paulo no dia 14 de março de 1933, Maneco começou a sua carreira no meio televisionado na década de 1950. Ele integrou o elenco do programa Grande Teatro Tupi, ao lado de grandes nomes da televisão, como Fernanda Montenegro. Nessa época, ele também começou a escrever adaptações literárias para a TV, como as obras Helena (1952) e Iaiá Garcia (1953), ambas baseadas em textos de Machado de Assis. Além de suas novelas, Manoel Carlos dirigiu programas de destaque na TV Record, como Família Trapo e O Fino da Bossa, que tinha Elis Regina como apresentadora.

Nos anos 70, ele ajudou a criar o famoso programa Fantástico e, na década de 80, se consagrou como um dos principais autores da TV Globo. Sua estreia na emissora foi com a novela Maria, Maria (1978), que foi seguida por A Sucessora (1979). Em 1980, ele colaborou com Gilberto Braga na novela Água Viva, que abordava os conflitos de uma classe social alta carioca, tema que se tornaria comum em seu trabalho.

Apesar de seu sucesso, Manoel Carlos enfrentou dificuldades, especialmente durante a produção da novela Sol de Verão (1982), que teve que ser interrompida após a morte do ator Jardel Filho, que era seu amigo e protagonista da trama. Depois desse episódio, ele deixou a Globo temporariamente para trabalhar em outras emissoras.

Seu retorno à Globo aconteceu em 1991 com a novela Felicidade, que deu início a uma nova fase cheia de sucessos. No decorrer dos anos, ele se destacou por histórias que misturavam amor, conflitos familiares e temas sociais. Sua obra História de Amor (1995) provocou polêmica ao retratar uma relação amorosa entre mãe e filha pelo mesmo homem. Mais tarde, Por Amor abordou temas como troca de bebês e alcoolismo.

As novelas Laços de Família (2000) e Mulheres Apaixonadas (2003) marcaram o auge de sua carreira, conquistando altos índices de audiência e estimulando discussões sobre questões sociais, como a criação do Estatuto do Idoso. Ele também se destacou em minisséries, como Presença de Anita (2001), que foi recordista em audiência.

Outros temas abordados por Manoel Carlos incluíram a inclusão de personagens especiais, como a criança com síndrome de Down em Páginas da Vida (2006) e a história de uma modelo que ficou tetraplégica em Viver a Vida (2009). A última novela de sua carreira, Em Família (2014), não alcançou o mesmo sucesso que seus trabalhos anteriores.

A trajetória de Manoel Carlos foi marcada por personagens fortes e histórias com apelo emocional. Ele costumava situar suas novelas no Rio de Janeiro, criando dramas sob um céu azul, e buscava retratar a vida de forma realista, mas com a leveza que o público precisava. Seu impacto na televisão brasileira é inegável, e suas obras continuam a ser lembradas e discutidas por espectadores e críticos.

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