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Rejeição a motoristas de app: o que está acontecendo?

Violência contra mulher trans resulta em morte em Belo Horizonte

No último domingo (9), Alice Martins Alves, uma mulher trans de 33 anos, morreu após ser brutalmente espancada na Savassi, região Centro-Sul de Belo Horizonte. Seu pai, Edson Alves Pereira, concedeu uma entrevista onde relatou que sua filha enfrentava discriminação diária, além de ser alvo de preconceito em diversas situações.

Edson questionou a versão que circulou sobre Alice sair de uma pastelaria sem pagar uma conta de R$ 22. Ele afirmou que a filha sempre levava dinheiro e que ela usava serviços de transporte por aplicativo, já que enfrentava rejeição por parte dos motoristas devido à sua identidade de gênero. “Ela nunca pegava ônibus; eu não deixava. Precisava pegar um Uber, mas muitos não a aceitavam”, disse.

O pai de Alice fez um apelo urgente para que as autoridades enfrentem a violência contra pessoas trans. “É preciso agir com firmeza. Se não houver uma resposta, a sociedade continuará ignorando o problema”, afirmou. Ele ressaltou que a violência de gênero causa enorme sofrimento e é fundamental que os desafios enfrentados por pessoas trans sejam visibilizados.

Entenda o caso

O ataque a Alice ocorreu na noite de 23 de outubro, quando ela deixava uma pastelaria sem pagar, o que segundo a polícia, já tinha acontecido anteriormente sem maiores problemas. Alice era conhecida no local e havia sido incentivada pela família a sair para se distrair naquele dia.

Após visitar um bar, Alice decidiu retornar para casa. Durante a saída, dois funcionários da pastelaria a perseguiram, mesmo após ela já ter solicitado um carro de aplicativo. Um motociclista que presenciou a agressão a ajudou e acionou o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) e a Polícia Militar.

Infelizmente, Alice não sofreu as agressões no local, mas seu estado de saúde se deteriorou rapidamente. Ela perdeu cerca de 10 quilos, enfrentou dificuldades para comer e sentia dores intensas. No dia 8 de novembro, uma nova internação revelou uma perfuração no intestino, resultado das agressões. Alice faleceu no dia seguinte em um hospital particular de Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.

Piora no estado de saúde

Após a agressão inicial, Alice foi atendida em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA), mas voltou para casa sem receber os cuidados adequados. Dias depois, retornou a um hospital particular, onde exames identificaram costelas quebradas e outras lesões graves. Por vergonha e medo, ela só conseguiu registrar um Boletim de Ocorrência no dia 5 de novembro, acompanhada do pai.

A investigação sobre o caso foi encaminhada ao Departamento de Feminicídios e permanece sob sigilo. A Polícia Civil informou que medidas cautelares foram solicitadas, mas não revelou detalhes sobre os suspeitos, que estão em liberdade. Áudios registrados por câmeras e um exame de corpo de delito realizado por Alice também fazem parte da investigação, que confirmou que sua morte foi consequência das agressões sofridas.