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Setor elétrico: risco pode elevar gastos em R$ 5,4 bilhões

Setor elétrico: risco pode elevar gastos em R$ 5,4 bilhões

Um grupo de sete entidades do setor de energia assinou um manifesto pedindo a redução do parâmetro de aversão ao risco do sistema elétrico brasileiro. Segundo as associações, manter o índice atual pode gerar um gasto extra de R$ 5,4 bilhões com usinas termelétricas. O tema será discutido pelo Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) nesta semana.

O documento é assinado pela ABEEólica, Abiape, Abrace Energia, Abraceel, ANACE, COGEN e FNCE. As entidades representam geradores de energia renovável, comercializadoras e grandes consumidores.

O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) usa uma ferramenta chamada CVaR (Conditional Value-at-Risk) para calcular o risco de escassez hídrica. Esse modelo analisa cenários hidrológicos de longo prazo, considerando a queda no volume de chuvas e o nível dos reservatórios. O objetivo é prever impactos e evitar uma crise hídrica.

O nível de aversão ao risco influencia diretamente o Preço de Liquidação das Diferenças (PLD). Quanto maior o risco, maior o preço da energia. Na prática, isso significa mais acionamento de termelétricas e bandeiras tarifárias mais caras para o consumidor.

Em 2024, o parâmetro foi alterado. Antes, o modelo considerava uma chance de 30% de escassez hídrica, com base nos 15 piores cenários (parâmetro “15/30”). Agora, o modelo passou a enxergar 40% de chance (parâmetro “15/40”).

O CMSE se reúne na quarta-feira, 13, para definir os parâmetros que serão usados em 2027. No ano passado, o comitê manteve para 2026 os mesmos índices adotados em 2025.

“Estará em definição os custos que suportarão a segurança energética em 2027, mais objetivamente, o nível estimado de térmicas que serão utilizadas para complementariedade da geração hidrelétrica. O ponto central desse debate é a relação entre custo e benefício”, afirma o manifesto.

As entidades destacam que os parâmetros atuais já geram um custo de R$ 51,6 bilhões com geração termelétrica para garantir o atendimento do sistema em cenários extremos. “A contratação ou despacho adicional que elevaria esse montante em R$ 5,4 bilhões não encontra justificativa técnica ou econômica consistente. Trata-se de custo incremental elevado, associado a benefício marginal reduzido”, conclui o documento.