À meia-noite do dia 31 de dezembro, muitas pessoas celebram a virada do ano com festas, brindes e promessas de novas oportunidades. No entanto, há aqueles que preferem passar essa data em silêncio, longe das multidões. Segundo especialistas em psicologia, essa escolha pode ser mais reveladora sobre a saúde emocional do indivíduo do que um simples desejo de isolamento.
### As emoções nas festas de fim de ano
As comemorações de Ano Novo têm um significado simbólico que vai além da simples troca de calendário. De acordo com a Associação Psicanalítica Argentina, datas como essa representam um marco na vida das pessoas, simbolizando tanto o fim de um ciclo quanto o início de outro. Mirta Goldstein, psicanalista e presidente da instituição, comenta que essas celebrações muitas vezes despertam sentimentos ambivalentes, como alegria e tristeza.
Essa mistura pode ser especialmente forte para quem vive sozinho, nem sempre por escolha própria. Idosos com filhos distantes, pessoas que perderam vínculos importantes ou que estão passando por mudanças significativas podem sentir a solidão de forma intensa, sendo o resultado das circunstâncias e não apenas uma escolha.
### Solidão buscada e solidão imposta
A psicóloga Alicia Killner faz uma distinção importante entre a solidão que é escolhida e aquela que é vivida como um peso. Algumas pessoas não se sentem à vontade em festas e optam por não participar como uma forma de se proteger. Outras, por outro lado, resistem à expectativa social de celebrar com euforia, sentindo-se pressionadas a aparentar felicidade mesmo quando não se sentem assim.
Killner questiona a ideia de que a virada do ano deve ser sempre comemorada em companhia, enfatizando que cada um tem o direito de lidar com a angustiante atmosfera das festas da maneira que lhe fizer sentido.
### Pressão social e desconforto
O fim de ano tende a criar uma pressão social, na qual parece que a celebração precisa ser animada e entusiástica. Para aqueles que preferem o silêncio, essa pressão pode gerar sentimentos de culpa ou inadequação. Killner menciona um poema de Jorge Luis Borges, que retrata o Ano Novo como uma “metáfora vazia”, onde os rituais muitas vezes não trazem significado real.
### Diferentes percepções de isolamento
O psicanalista Juan Eduardo Tesone observa que cada pessoa pode interpretar as festas de forma diferente. Para alguns, estar sozinho pode ser um sinônimo de paz e tranquilidade, enquanto para outros pode representar abandono e solidão. A motivação por trás da solidão é o que realmente faz a diferença.
Tesone destaca a importância de saber diferenciar entre uma solidão escolhida, que pode ser vista como um tempo para autoconhecimento e reflexão, e a solidão que pode trazer dor emocional, como a depressão.
### É saudável passar o Ano Novo sozinho?
Os especialistas concordam que não há uma resposta única para essa pergunta. Passar o Ano Novo sozinho pode ser tanto benéfico quanto prejudicial, e isso depende do contexto emocional e da fase da vida em que a pessoa se encontra. Goldstein enfatiza que existem “soledades criativas” que favorecem o autoconhecimento, mas também formas de isolamento que estão ligadas a problemas emocionais. Embora a companhia de pessoas próximas seja geralmente positiva, forçar interação social pode ser prejudicial se não houver desejo ou conforto para isso.
### A autenticidade da escolha
A mensagem principal dos especialistas é sobre a importância de fazer escolhas autênticas. O impacto emocional da virada do ano está mais relacionado à coerência com o que a pessoa sente de fato do que à companhia que se tem. Tesone resume: “Não é saudável nem prejudicial. O essencial é que seja uma escolha, não uma imposição.”
Em meio a festividades e tradições, a psicologia sugere que todas as formas de passar a virada do ano — seja em grupo ou em silêncio, com alegria ou introspecção — são válidas. O verdadeiro significado dessa época parece estar na maneira única como cada um decide acolher o novo ano.