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Símbolos religiosos em vídeo de Michelle reforçam identidade política

Por Portal Notícias BH · · 3 min de leitura
Símbolos religiosos em vídeo de Michelle reforçam identidade política
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A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) reforçou sua identidade política ao gravar um vídeo, na quarta-feira (24), criticando o enteado, o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

No cenário, Michelle empregou uma série de símbolos e, no discurso, mobilizou um repertório que une religião à ideologia conservadora. Por vezes, o cristianismo apareceu em um tom biblicista, com metáforas como a contradição entre luz e sombras: "A verdade vai iluminar o que está escondido na escuridão das notícias falsas". Em outros momentos, a religião apareceu com a transparência defendida.

Alguns exemplos de suas frases foram: "Não carrego rancor. Eu entrego tudo nas mãos de Deus"; "Perdão é libertação, não é obrigação"; "Meu futuro político está nas mãos de Deus"; "O meu Deus é o caminho, a verdade e a vida". Em sua trajetória política, Michelle se notabilizou pelo diálogo com os segmentos evangélicos.

Segundo aliados, a ex-primeira-dama decidiu publicar o vídeo para se defender de ataques coordenados e informações falsas. Durante a gravação, ela relata uma ligação telefônica em que teria sido desrespeitada e maltratada pelo filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. Michelle afirmou que Flávio foi muito ríspido.

O telefonema ocorreu em um contexto de disputas do bolsonarismo no Ceará. Michelle era contra a aliança do PL com Ciro Gomes (PSDB), a quem credita a inelegibilidade de seu marido. A ex-primeira-dama defendia o nome do senador Eduardo Girão (Novo) para disputar o governo do Estado. A candidatura ao Senado pelo Ceará também é um ponto sensível. Michelle quer uma vaga para Priscila Costa, vice-presidente nacional do PL, e o diretório do partido no Estado prefere lançar o nome do deputado estadual Alcides Fernandes (PL-CE).

Nas redes sociais, Flávio pediu desculpas à madrasta e afirmou que não teve a intenção de ofendê-la. Disse ainda que, sendo casado há 16 anos e pai de duas filhas, nunca desrespeitou uma mulher na vida. No discurso da ex-primeira-dama, chamou a atenção as dezenas de vezes em que ela falou "meu marido". A menção a Bolsonaro admitia uma variação: "meu galego", um regionalismo para designar alguém de pele alva que faz sucesso entre os apoiadores.

A estratégia de Michelle não se apoiou somente no discurso. A luz é irradiada lateralmente, atribuindo uma tez serena à personagem da gravação. Em momentos específicos, a câmera aproximava-se do rosto de Michelle, enfatizando o discurso. A ação da ex-primeira-dama também esteve no cenário escolhido, com símbolos destacados no vídeo.

Entre os símbolos, estava a Estrela de Davi, emblema do judaísmo que representa o Escudo de Davi e a aliança entre Deus e o povo de Israel. Ao incluir o símbolo em cima de um livro, a ex-primeira-dama ressalta seu filossemitismo.

Ao lado da estrela, surge a réplica de uma mão fazendo o "gesto do chifrinho", que na Libras significa "eu te amo". Michelle se notabilizou por defender a inclusão de pessoas com deficiência. Na posse do marido, em 2019, fez seu discurso na língua dos sinais.

Em dado momento, Michelle mostra o mapa do PL Mulher, do qual é presidente. O mapa do Brasil aparece pintado de rosa, expondo a capilaridade do setor. No PL Mulher, ela desenvolveu sua estratégia de dar visibilidade às mulheres conservadoras.

Acima do mapa, os gestos de Michelle se articulam ao redor de uma caneta Bic azul, uma menção ao ex-presidente que usava o objeto em eventos oficiais para sugerir simplicidade. Ao reivindicar a posse da caneta, Michelle sugere poder e proximidade com Bolsonaro.

Ao fundo, estão dispostos na parede uma série de honrarias recebidas pela ex-primeira-dama, como diplomas, certificados e condecorações, o que atribui autoridade a quem discursa. A camisa usada por Michelle tinha bordados com os Frutos do Espírito, do Livro de Gálatas: "mansidão", "alegria" e "domínio próprio", reafirmando sua identidade cristã.

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