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STF: PL da Dosimetria será validado com avisos sobre democracia

STF: PL da Dosimetria será validado com avisos sobre democracia

O STF (Supremo Tribunal Federal) tende a validar a redução de penas para condenados do 8 de Janeiro e da trama golpista, mas com uma série de recados sobre a necessidade de combater com rigor qualquer novo ataque à democracia.

Parte dos ministros discorda do PL da Dosimetria por entender que a medida significa um incentivo a novos atos antidemocráticos, mas mesmo entre esses magistrados há um consenso de que a definição das penas é uma prerrogativa do Congresso Nacional.

A leitura desse grupo é de que a severidade das punições era uma espécie de vacina contra um novo atentado às sedes dos três Poderes, risco que, em ano eleitoral, a área de segurança do Supremo não despreza.

Ao mesmo tempo, os magistrados avaliam que, se as punições foram altas, isso se deve ao próprio Congresso, já que a dosimetria foi calculada com base nas penalidades previstas em lei para cada tipo de crime.

O líder do PT na Câmara dos Deputados, Pedro Uczai (SC), disse que, assim que a lei for promulgada, o partido vai entrar com uma ação no Supremo pedindo que a norma seja declarada inconstitucional. A judicialização já era esperada pelos magistrados da corte.

O processo será sorteado a um ministro relator, que vai avaliar se concede liminar para suspender temporariamente a lei ou se adota rito abreviado para julgamento de mérito direto no colegiado.

Segundo um ministro do STF e interlocutores de outros quatro ouvidos pela reportagem, o cenário que se desenha é de maioria pela manutenção da lei, por respeito ao princípio da separação dos Poderes.

Nos gabinetes dos magistrados, houve comentários sobre uma possível afronta à impessoalidade, já que o projeto avançou para beneficiar um determinado grupo de pessoas. Porém, a percepção é de que o momento institucional do Judiciário é considerado delicado para interpretações mais ousadas.

A ala que prega um Supremo mais autocontido em relação às iniciativas do Congresso deve votar pela constitucionalidade. O decano, ministro Gilmar Mendes, já declarou publicamente que o Congresso tem atribuição para reduzir as penas.

Flávio Dino também já se posicionou. “O Congresso pode mudar a lei penal? Pode. Eu espero que não o faça, porque considero que a lei vigente é boa”, disse ele em outubro passado.

O relator das investigações sobre atos antidemocráticos, Alexandre de Moraes, disse que “atenuar as penas seria um recado à sociedade de que o Brasil tolera novos flertes contra a democracia”. No entanto, ele sinalizou que, se essa foi a opção do Congresso, cabe a ele aplicar as mudanças, pois alterações legais mais benéficas devem retroagir.

Moraes só negou o pedido feito pela cabeleireira Débora Rodrigues porque a lei ainda não está em vigor. Na quinta-feira (30), o Congresso derrubou o veto de Lula ao projeto, mas até agora não houve a promulgação.

Assessores e auxiliares de ministros avaliam que a vigência do projeto pode ajudar a arrefecer as tensões, ao mesmo tempo que preserva o poder do STF na execução das penas. A aplicação efetiva das novas regras ainda ficará a cargo de Moraes, que vai analisar os requerimentos das defesas caso a caso.

De acordo com relatório divulgado por Moraes em 26 de abril, 1.402 réus já foram responsabilizados pelo 8 de Janeiro e pela trama golpista. Desses, 850 foram condenados a penas privativas de liberdade, e 419 tiveram pena convertida em serviços comunitários. A penalidade mínima foi de três meses de prisão e a máxima, de 27 anos e três meses, caso do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Com a nova lei, a pena de Bolsonaro pode ser reduzida para 22 anos e um mês, com progressão de regime mais rápida. Atualmente, a previsão é de cinco anos e 11 meses em regime fechado, prazo que pode diminuir para três anos e três meses.