Aos 8 anos, Helloysa da Silva Martins recebeu uma notícia que mudaria sua vida: ela estava na lista para um transplante renal. A espera, que havia sido longa e cheia de desafios, finalmente chegava ao fim.
Helloysa vive em Douradina, a 192 km de Campo Grande, e é acompanhada pela equipe de nefropediatria do Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian (Humap) desde os 3 anos, quando começou a enfrentar problemas de saúde devido à hipertensão arterial grave. Com o agravamento da sua condição para a doença renal crônica em estágio 5, a menina começou a depender da hemodiálise em julho de 2025. Desde então, três vezes por semana, ela e a mãe faziam a viagem cansativa até Campo Grande para sessões que duravam quatro horas.
Apesar da rotina desgastante, Helloysa se mostrava forte e sempre enfrentava os desafios com um sorriso. Em novembro de 2025, após uma série de exames, ela foi considerada apta para o transplante e entrou na fila nacional. O que surpreendeu a todos foi a rapidez da espera.
Na madrugada do dia 8 de janeiro, o telefone tocou com a notícia emocionante: havia um rim compatível disponível. Assim que a prefeitura foi informada, a Secretaria Municipal de Saúde agilizou a logística para garantir o transporte de Helloysa até o centro de transplantes em Belo Horizonte dentro do prazo necessário. Mesmo sem a necessidade de uma ambulância, era essencial que a viagem fosse feita de forma rápida, segura e confortável, especialmente considerando os desafios de uma rodovia parcialmente interditada por um acidente.
Com a ajuda do município, do governo estadual e da Polícia Rodoviária Federal (PRF), Helloysa foi acompanhada em sua viagem ao aeroporto. Essa colaboração foi crucial para que a criança chegasse a tempo.
Helloysa chegou a Belo Horizonte onde se submeteu ao transplante no dia 9 de janeiro. Após passar um período no Centro de Tratamento Intensivo (CTI), sua recuperação foi positiva, e atualmente ela está se adaptando ao novo rim.
Para Andrea Lindenberg, superintendente do Humap, a história de Helloysa representa a importância da assistência continuada prestada pelo hospital. Ela comentou que cada transplante é um símbolo de luta e esperança, e Helloysa é a 16ª paciente transplantada que o Humap acompanha, o que reforça o compromisso da equipe com um atendimento humanizado.
A enfermeira Flávia Nantes Fausto, que acompanhou a recuperação da menina, destacou como ela sempre mantinha uma atitude leve mesmo diante das dificuldades. Ela acredita que o transplante não é apenas uma cura, mas sim uma oportunidade de melhorar a qualidade de vida e trazer esperança para a criança e sua família.
Em uma coincidência emocionante, Helloysa se reencontrou em Belo Horizonte com João Guilherme Morales dos Santos, um colega que também passou por transplante renal. Esse reencontro emocionou tanto as equipes de saúde quanto as famílias envolvidas, simbolizando a continuidade do cuidado que elas receberam.
A mãe de Helloysa, Rosângela da Silva Martins, expressou sua alegria ao receber a notícia do transplante: “Foi um susto e uma alegria ao mesmo tempo. Graças a Deus tudo deu certo. Ela já está se alimentando, andando, e sabemos que ainda temos um caminho pela frente, mas hoje só temos gratidão”.
Nos próximos meses, Helloysa ficará em Belo Horizonte para acompanhamento médico rigoroso. Assim que for liberada, ela fará o monitoramento alternando entre Campo Grande e a capital mineira. Agora, seu maior desejo é simples e cheio de significado: poder tomar banho de piscina, uma atividade que era impossível durante as sessões de hemodiálise.
O transplante de Helloysa simboliza não apenas uma nova fase em sua vida, mas também a possibilidade de viver sua infância com mais liberdade e alegria, em uma rede pública de saúde que funciona de forma integrada para oferecer o cuidado necessário.
