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Crime organizado se profissionaliza e mortes violentas perdem sentido

Por Portal Notícias BH · · 2 min de leitura
Crime organizado se profissionaliza e mortes violentas perdem sentido
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Os assassinatos registrados no Brasil caíram pelo quinto ano consecutivo, mas o crime organizado e a percepção de insegurança cresceram e estão no centro do debate público nacional. A melhoria nas estatísticas de delitos graves parece ter pouco efeito sobre a preocupação com a violência.

Para o sociólogo Daniel Hirata, assessor especial do Ministério da Justiça e Segurança Pública do governo Lula (PT), não há contradição nisso. Ele afirma que a sensação de vulnerabilidade dos brasileiros é provocada pela influência de organizações criminosas sobre grandes territórios urbanos e pelos crimes patrimoniais, especialmente roubos de celulares.

Hirata recusa a ideia de que as mais de 6.000 mortes em intervenções policiais no país possam ser tratadas como “dano colateral” no enfrentamento à criminalidade. Ele argumenta que brutalidade e corrupção policial andam juntas e, em muitos casos, favorecem o crescimento de facções, milícias e outras organizações criminosas.

O assessor afirma que, desde 2018, as mortes violentas intencionais diminuem por fatores como o envelhecimento da população e a dinâmica de enfrentamento entre grupos criminosos. No entanto, ele destaca que a percepção da segurança pública envolve dimensões que não têm relação direta com as ocorrências criminais. Houve aumento das capacidades logísticas e operacionais dos grupos criminosos e diversificação dos seus mercados de atuação.

O crime patrimonial, sobretudo o roubo de celulares, também impacta fortemente a percepção de segurança. Hirata cita São Paulo como exemplo, onde as pessoas ficam assustadas ao ver alguém tirar o celular do bolso. “É um objeto de valor considerável, e a vida das pessoas está lá dentro”, diz.

O controle territorial armado das facções impacta as rotinas das pessoas, com barricadas, justiçamento informal e monopolização de setores como gás, água e internet. Para retomar esses territórios, Hirata aponta a necessidade de atuação policial de inteligência, urbanismo social, acesso à Justiça, integração econômica e políticas focadas na primeira infância.

Sobre as UPPs, ele afirma que o fracasso se deve ao predomínio da atuação policial e à pressa na expansão, ligada a ciclos eleitorais. A letalidade policial, que continua crescendo, é um problema histórico que decorre da falsa oposição entre controle do crime e respeito aos direitos humanos. Hirata defende que policiais brutais muitas vezes também são corruptos, o que favorece a penetração do crime organizado nas instituições públicas.

O Brasil esclarece menos de 40% dos seus homicídios, taxa muito abaixo da média mundial. Para melhorar, Hirata defende investimento em infraestrutura nas polícias científicas e nos IMLs, além de valorização profissional dos peritos. Ele alerta que a redução dos assassinatos pode estar ligada ao aumento das capacidades do crime organizado, que, ao se profissionalizar, evita mortes violentas por não serem um bom negócio. “Temos que reduzir essas capacidades logísticas e financeiras que o crime organizado construiu”, conclui.

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