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ATP Roma 2026: Tênis é Pura Corrida

O tenista italiano Luciano Darderi, atual número 20 do ranking mundial, concedeu uma entrevista exclusiva onde falou sobre sua carreira, a pressão de jogar em casa e seus objetivos futuros. O jogador, que nasceu na Argentina mas viveu grande parte da vida na Itália, se prepara para disputar o Internazionali d’Italia, torneio que considera especial por ser realizado em Roma, cidade onde cresceu.

Darderi, conhecido pelo apelido de “Luli”, começou sua trajetória no tênis ainda criança, acompanhando o pai, Gino, que também foi tenista e depois se tornou mestre nos campos do Forma Center, hoje Villa York Sporting Club. O jogador mantém uma relação próxima com o clube e com as pessoas do local, onde ainda treina com o irmão mais novo, Vito, de 17 anos, que busca seguir seus passos. Durante a preparação para o torneio romano, Darderi conta com o apoio do pai e do treinador Emiliano Privato, atual campeão mundial na categoria acima de 40 anos.

No sorteio do torneio, Darderi garantiu uma vantagem importante: terá bye na primeira rodada, o que lhe concede alguns dias extras de descanso. Na segunda rodada, enfrentará o vencedor do confronto entre o polonês Hubert Hurkacz e o alemão Yannick Hanfmann. O italiano já enfrentou Hurkacz recentemente, perdendo em três sets no torneio de Monte Carlo. Sobre o desafio, Darderi afirma estar preparado: “Vou encontrar o vencedor entre Hurkacz e Hanfmann. Perdi para ele há algumas semanas em Monte Carlo, mas estou pronto para entrar em quadra, lutar e me divertir. Esta é a semana mais bonita do ano, com a torcida, a família e o apoio”.

O tenista destacou o significado especial de jogar em Roma. “Desde que piso na cidade, sinto algo diferente. Para mim, é o torneio que vinha assistir quando era pequeno. Morei aqui por muitos anos e isso me causa um efeito especial. Há muitos amigos nas arquibancadas, pessoas que talvez só venham me ver nesta ocasião durante o ano. Há um pouco de pressão, mas isso acontece com todos os italianos que jogam aqui e têm altas expectativas”, disse.

Atualmente o quarto melhor tenista da Itália, Darderi reconhece que as expectativas são altas, mas acredita que a presença de outros fortes tenistas italianos alivia um pouco a pressão. “É uma chance que não pode ser desperdiçada. Em 2024, perdi para Zverev, que depois venceu o torneio, mas joguei boas partidas contra Navone e Shapovalov. No ano passado, fui eliminado por Draper, que era número 4 ou 5 do mundo. Quando enfrentei jogadores do meu nível, sempre venci, e isso me dá mais tranquilidade”, completou.

Questionado sobre seus objetivos no ranking, Darderi foi direto: “O ranking diz que sou o número 20. Isso é apenas um número. Trabalhamos sempre para avançar, e acredito que posso alcançar o Top 10. Há algum tempo, não pensava em chegar ao top 20, mas agora sinto que o objetivo está próximo e queremos ir ainda mais longe. São as nove ou dez posições mais difíceis de subir, mas pensei a mesma coisa quando era número 30: quanto mais perto do topo, mais difícil fica”.

O tenista também abordou os desafios físicos e mentais da temporada. Para lidar com a sobrecarga de jogos, ele e sua equipe tomaram a decisão de não disputar torneios Challenger no meio dos Masters 1000. “Este ano decidimos mudar algo. Não joguei entre Indian Wells e Miami, nem em Cagliari. Poderia ter somado mais alguns pontos, mas descansar física e mentalmente está se tornando fundamental. Às vezes, você se machuca porque é forçado a jogar sem parar. Procuro treinar também durante os torneios, e acho que essa é uma boa qualidade minha”, explicou.

Darderi também falou sobre sua abordagem para a defesa de pontos conquistados no ano anterior, especialmente nos torneios de Bastad e Umago. “Tento não pensar nos pontos que preciso defender, mas sim naqueles que não fiz no ano passado. Chego com tranquilidade. Se os tops 10 pensassem assim, praticamente não conseguiriam jogar tênis. No final, é uma corrida: você começa em primeiro de janeiro e sabe que até o fim do ano precisa fazer o seu melhor. Este ano, já fiz quase 900 pontos, enquanto no ano passado, nesta época, tinha 350. Fui bem em Auckland, na Austrália, nos 250. Ser cabeça de chave nos 1000 permite começar com uma partida de vantagem”, afirmou.

Por fim, o italiano comentou sobre a semelhança entre as superfícies das quadras nos torneios atuais. “Estou no circuito em bom nível há três anos, então não posso falar de como eram as quadras há dez ou vinte anos. Pelo que ouço de quem estava lá, nos quatro Grand Slams as superfícies são realmente bastante parecidas. Ainda existe diferença, especialmente nos torneios 250, onde você pode encontrar condições particulares. Em Auckland, o piso é mais lento, enquanto em Brisbane a bola viaja mais rápido”, concluiu.